5 livros para você entender a história do Carandiru

5 livros para você entender a história do Carandiru
Publicado dia 28/09/2016 em Artigos

Entender o que aconteceu na Casa de Detenção de São Paulo, popularmente conhecida como Carandiru, não é tarefa fácil, por isso a história deve ser analisa em diversos ângulos e livros.

No dia 2 de outubro de 1992, a Polícia Militar de São Paulo matou 111 presos em operação para controlar uma rebelião na Casa de Detenção de São Paulo. Conhecido como Carandiru, o presídio inaugurado em 1920 funcionava na zona norte da capital. O local chegou a abrigar 8 mil detentos no período de maior lotação. A unidade foi desativada e parcialmente demolida em 2002.

Por envolver grande número de réus e de vítimas, o julgamento foi dividido, inicialmente, em quatro etapas, de acordo com o que ocorreu em cada um dos pavimentos da casa de detenção. Os 73 réus foram condenados a penas que variam de 48 a 624 anos. Um dos acusados foi julgado em separado, sendo igualmente condenado.

Durante o seu voto, o relator, desembargador Ivan Sartori, classificou o processo que resultou nas condenações de “revoltante”. Na avaliação dele, houve falha ao identificar quais foram a condutas dos policiais ao entrarem no presídio. “Nesse processo não se sabe quem matou quem, quem fez o quê”, disse, exaltado, ao apresentar sua posição. “Como julgador, nunca vi processo tão kafkaniano”, disse em referência ao escritor tcheco Franz Kafka, que retrata de forma surrealista o absurdo da burocracia jurídica.

Ao mencionar diversos depoimentos, Sartori destacou que há provas de que em vários momentos foram encontradas armas dentro do Carandiru, o que vai ao encontro da versão de que os policiais reagiram a tiros disparados pelos detentos. Por isso, o magistrado também defendeu a tese de que não houve um massacre, mas que os policiais, na maioria, agiram em legítima defesa, obedecendo a ordens hierárquicas.

Nesse sentido, o desembargador Edison Brandão defendeu a legitimidade da ação contra os presos rebelados. “Não era um exército de extermínio, era uma força militar-policial”, ressaltou durante seu voto.

Vidas do Carandiru

Vidas do Carandiru

Vidas do Carandiru

O jornalista Humberto Rodrigues foi preso e condenado por um crime que não havia cometido. Coube-lhe – até ser absolvido, um ano e meio depois – viver dias terríveis nas celas do maior presídio da América Latina, o lendário Carandiru. Dessa tragédia nasceu um livro no qual, com um estilo que lembra Graciliano Ramos, mas menos amargo, o autor nos emociona com uma revelação surpreendente – no meio do inferno e convivendo com monstros, ele conseguiu, de forma comovente e bela, encontrar resquícios de esperança e humanidade.

Carandiru: A Prisao, O Psiquiatra E O Preso

Carandiru: A Prisao, O Psiquiatra E O Preso

Carandiru: A Prisao, O Psiquiatra E O Preso

Este livro mostra o porquê de o Carandiru ter-se transformado em modelo de eficiência, higiene e controle. Mas questiona se controle e habitabilidade seriam fatores de legitimidade das instituições totais. Aqui são estudados os significados da regeneração e o que ela implica para os homens e para a vida em sociedade. Só ingenuamente interessaria ter um presídio higiênico e moderno transformado em prioridade governamental. A própria idéia de se ter uma instituição total é a condutora crítica do estudo e da intevanção sobre os indivíduos. Do interior de sua eficiência, e contra ela, algumas vozes questionavam o tratamento dado aos homens. Além dos desesperados suicidas, Amleto Gino Meneghetti, o mais famoso ladrão de São Paulo no século passado, ousou revelar ao que leva o caráter pedagógico do sofrimento.

Estação Carandiru

Estação Carandiru

Estação Carandiru

O livro ‘Estação Carandiru’ é resultado da experiência do próprio autor no lugar que foi o maior presídio do Brasil. A convivência com os presidiários e funcionários do presídio teve início quando foi desenvolvido o seu trabalho voluntário de prevenção à AIDS. Esta convivência proporcionou o conteúdo do livro, onde o autor descreve desde a divisão física da Casa de Detenção, os pavilhões, até a sociedade carcerária e relatos de detentos e funcionários.

Diário de um Detento do ex-detento Jocenir

Diário de um Detento do ex-detento Jocenir

Diário de um Detento do ex-detento Jocenir

Com apresentação de Dráuzio Varella (autor de ‘Estação Carandiru’, que conheceu Jocenir na Casa de Detenção, a obra revela a dureza do cárcere por alguém que vivenciou a experiência. No livro Jocenir conta sua passagem por presídios e cadeias de São Paulo.

Os Misterios do Carandiru

Os Misterios Do Carandiru

Os Misterios Do Carandiru

Esta obra apresenta um levantamento dos produtos derivados do episódio do massacre de 111 presidiários pelas tropas de choque da polícia militar, em 1992, no Complexo Penitenciário do Carandiru. Durante os 10 anos subsequentes à chacina, ocorrida na maior e mais precária casa de detenção da América Latina, depoimentos dos sobreviventes da ação policial e relatos de vida dos detentos alimentaram o mercado cultural, dando origem a inúmeras narrativas em diferentes formatos, distribuídas por distintos setores da produção.

TJSP anula condenações de policiais acusados

O Tribunal de Justiça de São Paulo anulou hoje (27) os quatro julgamentos que condenaram 73 policiais militares pelo Massacre do Carandiru. Os três desembargadores da 4ª Câmara Criminal do Tribunal do Júri responsáveis pelo recurso da defesa dos réus entenderam que não há elementos para mostrar quais foram os crimes cometidos por cada um dos agentes. Com isso, deverão ser realizados novos julgamentos.

O presidente da 4ª Câmara, desembargador Ivan Sartori, chegou a pedir a absolvição dos réus em vez da realização de um novo julgamento. Porém, a posição não foi aceita pelos demais quatro membros do colegiado presentes na sessão.

O revisor do caso, desembargador Camilo Léllis, lembrou os problemas da perícia, em especial a balística, para verificar a origem dos tiros que mataram os presos. “A perícia foi muito malfeita. Uma perícia duvidosa”, enfatizou. O magistrado reconheceu, entretanto, que os policiais passaram do limite. “O excesso não se pode negar: 111 presos mortos, nenhum policial.”

Na ocasião, os projéteis retirados dos corpos das vítimas ficaram guardados, uma vez que o Instituto Médico-Legal alegou que não tinha meios para fazer aquele número de análises. “Verifiquei que não houve interesse do governo de que se realizasse essa perícia. Porque bastava ter adquirido um equipamento mais moderno, em vez de se gastar em propaganda”, ressaltou Léllis ao acusar o governo estadual de não ter se esforçado para solucionar o caso.

A análise balística nunca chegou a ser feita. “Os projéteis apreendidos sumiram de dentro do fórum”, lembrou a advogada de parte dos réus, Ieda Ribeiro de Souza. Para ela, os policiais acabaram sendo condenados diante da incapacidade de responsabilizar os comandantes da operação. “Já que nós não conseguimos pegar o culpado real, que é o governador Fleury Filho, vamos pegar o elo mais fraco”, disse ao pedir a anulação dos julgamentos.

A procuradora Sandra Jardim rebateu alguns dos pontos técnicos levantados pela defesa, que acabaram rejeitados pelos desembargadores, e destacou os elementos que apontam abusos da ação policial. Segundo ela, muitos foram mortos sem roupas no interior das celas. “Quando os presos já estavam desarmados, acuados e rendidos”, ressaltou a representante do Ministério Público.

Sandra ainda acusou os policiais de tentar eliminar as provas dos crimes. “Nenhum projétil ou estojo vazio foi encontrado no local”, afirmou, com base nos depoimentos colhidos durante o processo.

Em ocasiões anteriores, o ex-governador se manifestou sobre o assunto. Fleury explicou que os fatos ocorreram na véspera das eleições municipais e que, no dia, ele estava em Sorocaba, no interior do estado, em campanha com um candidato da cidade. Fleury disse que foi informado sobre uma rebelião em São Paulo, mas que “as coisas estavam sob controle”.

“Sou um sobrevivente do Carandiru”, relata ex-detento

“Sou um sobrevivente daquele massacre no Carandiru”, conta Sidney Francisco Sales, 45 anos, ex-detento da Casa de Detenção de São Paulo. Ele acredita que escapou da execução pelos policiais por um milagre. Sales estava preso há quatro anos e, no dia do massacre, estava em uma das celas no quinto andar do Pavilhão 9.

“Para as pessoas que sobreviveram ali, creio eu, milagrosamente, [aquele dia] estará sempre marcado em sua memória. Pior ainda é para aquelas pessoas que perderam seus entes queridos. Essas sim deveriam receber subsídios e ter a atenção do Estado e serem respeitadas”, falou à Agência Brasil.

Sales tinha 19 anos quando foi preso em flagrante por roubo de carga de caminhão, em setembro de 1989. No dia 2 de outubro de 1992, testemunhou o que ocorreu no Carandiru e até ajudou a carregar alguns dos corpos dos detentos para o caminhão que faria o transporte até o Instituto Médico-Legal (IML).

Anos depois, ao sair do Carandiru, Sales voltou ao mundo do crime. “Quebrei o voto que a minha mãe tinha feito. Quando fui para a porta do mercado [de trabalho], exigia-se a qualificação. E eu, queimado pelos raios solares (Sales é negro) e sem nenhuma qualificação para o mercado, a sociedade não me quis. E eu não quis a sociedade”, contou.

O retorno ao crime foi marcado por outra tragédia pessoal. “Foi então que, num confronto [com a polícia], tomei diversos tiros e fiquei paraplégico. Aí a situação piorou muito mais. Passei a usar droga demasiadamente e me tornei dependente químico. Fui abordado [pelos policiais] e preso novamente com uma quantia de drogas”, lembrou. Na época, Sales chegava a consumir 50 gramas de crack por dia.

Foi então que conheceu os grupos religiosos do sistema prisional e resolveu se dedicar a trabalhos sociais. “Hoje eu sou um pastor evangélico e cuido de três abrigos. Trabalho com pessoas em situação de vulnerabilidade e risco social e pessoal e com pessoas que fazem uso de substância psicotrópica e álcool”, disse. Cerca de 120 pessoas são atendidas nesses abrigos. Sales também é autor do livro Paraíso Carandiru – A História do Homem Que, Levado ao Inferno, Encontrou a Porta do Céu, lançado em novembro de 2007.

No lançamento de um manifesto contra os fins dos massacres no país, ocorrido na última sexta-feira (28), no Sindicato dos Jornalistas, em São Paulo, Sales narrou detalhadamente o que ocorreu.

“Naquele dia, nos encontrávamos jogando bola. Foi quando houve um comunicado de que havia se iniciado uma rebelião no andar. Ao subir, duas pessoas já se encontravam encapuzadas, com estiletes, facas, e foi dado que eles haviam se confrontado. Um ficou gravemente ferido e se evadiu do pavilhão e aí começou a aglomeração dos outros detentos, o que fez com que os agentes penitenciários também se evadissem do pavilhão”, explicou.

Segundo o sobrevivente, os detentos começaram então a colocar fogo em setores como a marcenaria. “O fogo começou a se alastrar e, então, houve aquele monte de pessoas subindo e descendo, falando que havia sido iniciada a rebelião”, relatou. Quando os detentos souberam que a tropa de choque da Polícia Militar havia chegado à Casa de Detenção, o pânico “ficou ainda maior”.

“Houve, sim, uma negociação, que não teve muito sucesso. A tropa de choque invadiu e começou então esse episódio e o massacre. Eu me encontrava no quinto andar e me lembrei de uma carta que uma senhora tinha me trazido com o Salmo 91. Entrei na minha cela, na 504E e naquele momento já tinham diversas pessoas ajoelhadas, clamando por seu Deus”, descreveu.

Logo depois, contou que um policial entrou na cela e pediu para que todos tirassem a roupa e saíssem nus, para fora. “Descemos até o primeiro andar e todos tinham ficado sentados ao chão, com a cabeça entre as pernas, cobrindo a cabeça com os braços, e ali, por volta de umas 3 horas [da manhã], os policiais mandaram que os detentos retornassem para suas celas”.

Quando ele se dirigia para a cela, um policial o chamou com um toque no ombro. “Quando me virei e achei que ia tirar a minha vida, ele me pediu para ajudar a carregar alguns cadáveres. Eu ajudei a carregar, aproximadamente, 35 [corpos]”.

Depois disso, Sales tentou retornar novamente para a cela. No entanto, quando chegou ao terceiro andar, um policial pediu para que retirasse um cadáver que estava por ali, na cela 313E. “Era um indivíduo que estava nos ajudando a carregar os cadáveres. Creio que estavam [policiais militares] dando queima de arquivo em algumas pessoas [assassinando testemunhas]. Quando tive esse entendimento, soltei aquele cadáver e subi para o quarto andar”, contou.

Sales disse que resolveu prosseguir até o quinto andar, onde se deparou com três policiais militares que apontaram suas armas. “Falei que o tenente tinha mandado me trancar porque eu já tinha ajudado a carregar todos os cadáveres”, explicou. Segundo o ex-detento, um dos policiais estava com um molho de chave na mão e disse: “Não sei qual é a chave desse cadeado. A chave que eu escolher vou bater no cadeado. Se o cadeado abrir, você entra. Se não abrir, vamos te executar agora”.

Nesse momento, segundo Sales, “lembrei do Salmo 91 e, quando ele bateu o cadeado e o torceu [ele imita o barulho do cadeado se abrindo], o cadeado abriu e, milagrosamente, entrei naquela cela”. Logo depois do massacre, Sales foi transferido para a penitenciária de Mirandópolis, no interior do estado.

Casa de Detenção de São Paulo

A Casa de Detenção de São Paulo[1], popularmente conhecida como Carandiru por localizar-se no bairro homônimo da cidade de São Paulo, foi uma penitenciária que se localizava na zona norte de São Paulo. Foi inaugurada na década de 1920 e sua construção é do engenheiro-arquiteto Samuel das Neves.

A denominação de Casa de Detenção foi dada pelo interventor federal Ademar Pereira de Barros que em 5 de dezembro de 1938, pelo decreto estadual 9.789, extinguiu a Cadeia Pública e o Presídio Político da Capital. Este decreto previa separação de réus primários de presos reincidentes e separação dos presos pela natureza do delito.

Já chegou a abrigar mais de oito mil presos, sendo considerado à época o maior presídio da América Latina. Foi o local do massacre do Carandiru em 2 de outubro de 1992. Foi desativado e parcialmente demolido em 2002 no governo de Geraldo Alckmin, no local foi construído o Parque da Juventude.

*Com informações da EBC / Agência Brasil.

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